(Source: favoritelittlelyrics)
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Quando tinha lá os meus 16 anos, muitos amigos e muitos hormônios, algumas coisas começaram a dar um pouco errado pra nossa convivência. Eram casais que terminavam, amigos que se pegavam, e o desejo falava mais alto que o bom senso. Bom senso esse que um amigo, já mais velho que já estava na faculdade fez questão de discutir uma vez. Ele me disse uma coisa que muito me marcou: “-As pessoas acham que quando elas namoram com alguém, elas possuem essa pessoa em um nível que nem as próprias pessoas se pertencem. Acreditam que amar é ser só delas, não olhar para os lados, não sentir desejo por mais ninguém. Mas na realidade, não é assim que funciona, as pessoas têm vontades e isso é normal, bom seria se as pessoas conseguissem amar sem querer tanto umas as outras só para si, achando que isso seja possível.”
Acredito que tenha sido mais ou menos isso que ele tenha me falado, adicionando algumas coisas aqui e esquecendo outras várias ali, essa seria a opinião resumida dele.
E a partir disso, comecei a formar a minha opinião do que seria o amor verdadeiro, aquilo que eu chamo de “Amor de Graça”, apesar dessa ideia ser inconcebível para minha realidade, sendo eu, o que já foi chamado de “mulher apaixonada”. Aí entra a discrepância na minha teoria: sempre me apaixonei muito rapidamente por qualquer resquício de atenção, qualquer demonstração de carinho ou afeto já eram motivo pra me imaginar vestida de branco, de mãos dadas com meu pai, pronta para ser entregue ao amor de minha vida. Mas, com o passar dos anos, aprendi a me apaixonar menos com as pessoas e salvar aquelas lágrimas e aquela música da fossa pra alguém que realmente tivesse me dado qualquer fio verdadeiro de esperança no amor.
Mas voltando ao “Amor de Graça”, a ideia é muito simples em sua concepção: quando você ama alguém, você deixa essa pessoa livre, livre de consciência para fazer o que bem entender. Seja isso sair, viajar e até mesmo beijar ou transar com outras pessoas. Por quê? Porque eu acredito que o amor deva ser grátis. A pessoa deve amar a quem bem entender na intensidade que lhe for conveniente e desejar a quem quiser também. Não acho que o desejo dependa do amor e nem vice-versa. Acredito que se o amor existir, ele existirá pelo tempo que tiver que existir e terá a intensidade que merece.
Acredito que seria realmente muito bom, como se você namorasse com o seu melhor amigo. Imagine: Você janta com seu namorado, vocês vão pra casa e transam a noite inteira de um jeito que só vocês conseguem um com o outro, dormem de conchinha, compram presente de dia dos namorados, vão ao shopping, ao cinema, ao parque, à praia, viajam, fazem planos, tiram fotos, são felizes. E no sábado sua amiga resolve ir numa baladinha pra comemorar o aniversário. Seu namorado vai sair com os amigos da faculdade, é aniversário de um amigo dele. Vocês vão, vocês se divertem, você vê um cara, sente vontade e beija ele. Sem dó, sem amor, por brincadeira, por vontade, desejo. Você vai pra casa, acorda no dia seguinte e ouve seu namorado contar que beijou uma menina na balada ontem e você conta que ficou com um cara também. Sem dor no coração, sem choro, sem vaso quebrado no chão, sem coração partido.
O amor é grátis. Ama quem quer, do jeito que acha que deve amar, sem cobrança, sem desespero, sem brigas e sem desentendimentos. Mas a gente não consegue, porque somos humanos. E nós humanos amamos estragar as coisas, dificultar as coisas, sofrer.
But then again, se não sofremos, como dar valor àqueles momentos bons? Dormir de conchinha, cinema, jantar à luz de velas, presente de dia dos namorados feito sob medida, amor matinal, com gosto de sono, cabelo bagunçado, pijama de ursinho e mesmo assim tem amor. Amar é sintonia, é magnetismo, é comprometimento sim, não tem como encaixar bem sem amar, não tem como saber do que o outro gosta sem dedicar tempo e… bom… amor!
Mas o amor, acima de tudo, é livre e mutável e por isso ele é lindo. Porque ele serve pra tudo, pra todos, sem preconceito. O amor é grátis.
She’s thin, she’s blonde, she says ‘wow’ a lot.
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